Não é mais segredo para ninguém: estamos no meio da maior crise desde a Grande Depressão.

Qualquer jornal que leiamos, qualquer noticiário que escutamos o indicador é o mesmo: em 2020 deveremos registrar o pior PIB mundial desde 1.929.

Mas porque a expectativa é tão ruim se também dizem que em alguns meses poderemos voltar para as ruas?

Porque o nível de incerteza proveniente dos isolamentos, fechamentos de negócios, impacto na saúde e como todos irão se portar quando puderem voltar as suas vidas normais são imensuráveis até o momento.

E, quando não podemos mensurar algo, sentimos medo e, quando sentimos medo muitas vezes não entramos em ação, ou, se precisarmos fazê-lo, faremos até o ponto em que sentimos segurança, ou seja, dentro do limite conhecido e nem um milésimo a mais de esforço.

Mas você poderia perguntar: ok, temos medo, mas o que isso tem  ver com a expectativa do PIB?

Veja:

  • quem pensava em expandir o negócio, aumentar contratação e dar aumento de salários: pausa os planos. E assim, pessoas que poderiam aumentar seus ganhos e, com isso, consumir mais e ajudar no crescimento da economia, não o farão, simplesmente porque não haverá o pontapé inicial ou podem perder o que já tinham inicialmente. Resultado: o PIB é revisto para baixo.
  • as pessoas que pensavam em viajar, tirar longas férias, mudar de casa, comprar algo novo passam a reavaliar suas prioridades. E, o resultado é que os negócios que ganhariam dinheiro pausam ou reduzem seus planos de expansão, maior produção, contratação, aumento de renda, etc. E, assim, o PIB também é revisto para baixo.
  • diante da redução da produção e menor expansão, os setores que abasteciam os que planejavam crescer também pausam. Resultado: revisão do PIB para baixo.

E assim vamos consecutivamente, com reduções de planos de expansão, crescimento, circulação de dinheiro impactando diretamente esse pequeno número que, na verdade, representa o quanto produzimos de bens e serviços em nossa economia em um determinado período.

Mas esse número de -3% no PIB mundial (e -5,3% para o Brasil) é certo? Não sabemos. Ninguém sabe. Isso porque ainda não conseguimos mensurar como será a saída dessa crise e a retomada da economia. Logo esse número tem algumas hipóteses por trás que podem ser melhoradas ou pioradas com a saída do isolamento.

Então, o que fazemos? Paramos, cruzamos os braços e esperamos para ver?

Não! Porque com PIB em -3,00% ou -100% você ainda precisa comer, se vestir, morar em algum lugar. Ou seja, precisa de dinheiro.

E, mesmo que diga: eu tenho reserva de emergência, posso cruzar os braços e esperar. Te digo: não, não pode! Isso porque se você cruzar os braços e esperar, seu dinheiro irá acabar e, como já disse aqui, ninguém sabe ao certo como tudo isso irá acabar.

Assim, sendo, em momentos de crise só resta arregaçar as mangas e cuidar muito bem do seu dinheiro. Tanto dos ganhos quanto dos gastos.

E, como sabemos que nesse momento o mais fácil a fazer é cuidar dos gastos do que aumentar os ganhos, vamos usar esse espaço para propor um exercício prático. Afinal o PIB afeta sua vida mas suas ações afetam mais (pro bem e pro mal).

Por essa razão, por trás desse exercício queremos que, ao invés de você exigir auto perfeição e a manutenção de todos os pratos rodando da mesma forma que rodavam no começo de março, queremos que você se permita parar e olhar o mundo com uma lupa diferente.

Esse exercício é importante porque em nenhuma crise vivida o mundo voltou igual. E, mesmo não sabendo se sairemos disso tudo mais consumistas ou mais poupadores, mais unidos ou mais isolados, mais corajosos ou mais medrosos, mais online ou mais off-line, sabemos: voltaremos diferentes e, com PIB do ano em baixa (economia em recessão) quanto melhor você cuidar do seu dinheiro, melhor!

Por isso, pegue papel e caneta ou abra um bloco de notas no seu computador e vamos lá:

  • Escolha três palavras do que o dinheiro significa para você
Poder Segurança Dependência Ansiedade
Sucesso Comodidade Fracasso Culpa
Liberdade Merecimento Estupidez Tranquilidade
Independência Pecado Prisão Medo

 

  • Pegue seu último extrato bancário Pré-isolamento e seu último extrato do cartão de crédito Pré-isolamento.
    1. Anote ao lado, o que cada um dos gastos/ recebimentos significou para você? (use as palavras escolhidas). Exemplo: compra brinquedos para os filhos – culpa

 

  • Analise:
    1. Atualmente suas prioridades continuam as mesmas?

 

  • Faça o seguinte exercício no seu extrato (impresso ou em .pdf) pensando nas suas prioridades:
    1. O que permanece após tudo isso (pinte/sublinhe de verde ou azul)
    2. O que sai (risque de vermelho)
    3. O que entra (anote de outra cor)
  • Compare os dados do que fazia até o isolamento e do que virou sua prioridade e anote:
    1. O que precisa mudar imediatamente?
    2. O que poderia mudar e se mudasse faria grande diferença positiva na nova realidade?
    3. O que deve começar a fazer imediatamente?
    4. O que poderia fazer e que faria diferença na sua vida, mas que precisaria de programação?
  • Organize as respostas acima por ordem de importância e prioridade. Exemplo: Ligar na operadora do cartão de crédito e cancelar a cobrança do seguro.
  • Entre em ação

Lembre que com o PIB em +100% ou -100%, cuidar dos gastos e usar o seu dinheiro para o que realmente faz sentido para sua vida não é crime!

E, quanto mais você usar o seu dinheiro a seu favor, mais oportunidades poderá aproveitar.

Não me importa se você “fez tudo errado” até agora, como algumas me dizem. Me importa que você comece a fazer diferente, imediatamente.  Por isso, separe um tempo e faça esse exercício. Depois, mande para nós seus insights e experiência.

Estamos juntas nessa. Não se esqueça!

 

Grande Beijo

Andreia Fernanda.

Economista, CFP ® |  Fundadora da Rico Foco

 

Nota: posteriormente falaremos de como gerar mais dinheiro. Continue nos acompanhando.